terça-feira, 28 de abril de 2009

Gravidez na adolescência

“... Uma gravidez na adolescência implica um duplo esforço para a jovem: ser mãe e ser jovem!”

A adolescência assume-se como um importante período da vida, que corresponde a diferentes tomadas de posição sentidas ao nível social, familiar e também sexual. A puberdade marca o início da vida reprodutiva de rapazes e raparigas, sendo caracterizada por mudanças fisiológicas e psicológicas. Uma gravidez na adolescência implica um duplo esforço de adaptação fisiológica e uma conciliação de duas realidades que convergem num único momento: estar grávida e ser adolescente.

De um modo geral, a taxa de fecundidade diminui em todos os grupos etários, mas entre os adolescentes de 15 a 19 anos baixo menos, andando à volta dos 14 casos de gravidez por cada mil adolescentes (nos E.U.A. o número é de 96 casos de gravidez por cada mil adolescentes!). Outro facto importante é a escassa utilização de métodos anti-concepcionais e a alta percentagem de abortos provocados neste grupo etário. Em Portugal, aproximadamente 10% das mulheres em quem são praticados abortos legais têm menos de 20 anos, e por outro lado, nos Estados Unidos 40% das adolescentes grávidas recorrem ao aborto!

A gravidez na adolescência não é um fenómeno novo. Talvez alguns factores sociais actuais permitam uma análise aproximada das suas causas: puberdade numa idade mais precoce, trivialização da sexualidade, erotismo constante nos meios de comunicação, adolescência demasiado longa, etc.

Em Portugal, segundo os dados do INE (Instituto Nacional de Estatística), em 1998 havia 95 mães com menos de 15 anos e 7308 entre os 15 e os 19 anos.

A gravidez na adolescência, como o próprio termo já define, consiste na gravidez de uma adolescente. Uma gravidez indesejada na adolescência ocorre por várias razões: porque o método contraceptivo falhou ou pela má utilização do mesmo, porque não se utilizou qualquer protecção durante as relações sexuais, por falta de informação, pela existência do pensamento mágico de que “só acontece aos outros”, ou ainda por crendices e mitos à volta das relações sexuais (como por exemplo: na primeira vez não há risco de ficar grávida ou que quando “se faz de pé” não há problema!).

Existem, porém, gravidezes que são desejadas durante a adolescência e que são determinadas por padrões culturais ou por questões mais complexas, como por exemplo: o sentir que estando grávida se consegue o amor do namorado, a fantasia de que a gravidez lhe trará mais afecto, atenção por parte dos outros, como forma de sair de casa dos pais mais rapidamente ou até mesmo pela idealização de que o bebé lhe trará o “papel da sua vida”.

Antes de decidir engravidar, a rapariga e o rapaz, devem pensar e falar entre si e talvez com os amigos ou com um adulto em quem confiem, na responsabilidade que é ter um filho, como um filho altera completamente a nossa vida e da quantidade de coisas de que é preciso prescindir depois de se ter um filho…

Muitas jovens já se depararam com uma situação que, para muitas, foi aterradora: será que estou grávida?! Ora, se já existiram relações sexuais desprotegidas - pelos mais variados motivos - e a menstruação não apareceu na altura em que deveria surgir, não vale a pena entrar em pânico, mas também não adianta “fingir” que não é nada. É preciso reflectir um pouco sobre a situação e avançar para um teste de gravidez. Ora, estas situações de dúvida são origem de algumas “desconfianças” das jovens, que normalmente são baseadas no que chamamos sintomas de gravidez. Eis alguns exemplos desses sintomas:

- Seios doridos;

- Muito sono e cansaço;

- Atraso da menstruação;

- Náusea e vómitos;

- Desejo por certos alimentos;

- Escurecimento dos mamilos;

- Dor nas costas;

- Vontade frequente de urinar.

Apesar de e a taxa de gravidez na adolescência ser elevada, têm-se tomado medidas por todo o Mundo para combater esta realidade. A forma mais utilizada é a maior divulgação dos métodos contraceptivos, quer seja na escola (nas disciplinas de educação sexual) quer seja em campanhas a nível local. Estes formam um conjunto de dispositivos ou medicamentos que ajudam para a prevenção e redução da gravidez. Os mais conhecidos são:

Preservativo – é um método de barreira que são um obstáculo físico para dificultar ou impedir os movimentos dos espermatozóides em direcção ao sistema reprodutivo feminino.

Pílula – é um método hormonal que interfere no ciclo ovarino da mulher à custa de hormonas que impedem a ovulação.

Contudo, tem-se tentado expandir um movimento de sensibilização em relação à gravidez na adolescência. Maria Helena Vilela, directora do instituto Kaplan (centro de estudos da sexualidade humana), aponta uma outra realidade como medida de combate, afirmando:

“É preciso entender que os paradigmas da sexualidade mudaram exponencialmente na última década. A escola, através dos seus professores capacitados com metodologia eficiente, será a maior aliada dos países e do Governo para combater e prevenir a gravidez na adolescência”.

Porém, actualmente, se mesmo com o uso dos métodos anti-concepcionais a gravidez se consolidar, existe mais um recurso para as jovens grávidas: a I.V.G. (Interrupção voluntária da gravidez). Antes de mais, I.V.G. é um direito de todas as mulheres que consiste na interrupção da gravidez até às 10 semanas, desde que seja realizado em estabelecimentos de saúde oficiais ou oficialmente reconhecido. Apenas a própria mulher pode fazer o pedido de interrupção de gravidez, salvo no caso de ser psiquicamente incapaz. O I.V.G., também conhecido como aborto, pode ser feito de modo cirúrgico ou medicamentoso, mas em ambos consiste na toma de medicamentos e comprimidos acompanhados por um médico.

Em Portugal, a 11 de Fevereiro de 2007, através de um referendo, os portugueses escolheram legalizar a Interrupção Voluntária da Gravidez até às 10 semanas, a pedido da mulher, num estabelecimento de saúde autorizado. Depois da aprovação da lei nº. 16/2007 (de 17 de Abril), em Junho de 2007, a I.V.G. tornou-se legal. Interromper a gravidez no Sistema Nacional de Saúde é um direito de todas as mulheres portuguesas ou estrangeiras residentes em Portugal (continental e ilhas).

Ao longo dos anos têm-se criado mitos e dúvidas constantes sobre a gravidez. Ficam aqui alguns exemplos:

- Se tomar banho a seguir ao acto sexual engravido?

- Engravido se for a primeira vez que tiver relações sexuais?

- Posso engravidar depois da menstruação?

- Engravido se tiver relações sexuais de pé?

- Existe a possibilidade de engravidar se retirar o pénis antes da ejaculação?

Todos estes mitos apontados são “falsos”, ou seja, em todos estes existe a possibilidade de a mulher engravidar! Não é por tomar banho depois ou por ter relações sexuais de pé que os espermatozóides não vão “chegar” aos ovários!

Estas são somente teorias erradas que se foram alastrando, e que actualmente fundamentam dúvidas para muitas mulheres! Mas desde já fica aqui o esclarecimento. Em todos estes casos a gravidez é uma possibilidade!

Violência Doméstica

Violência Doméstica – é qualquer acto, omissão ou conduta que provoque sofrimentos físicos, sexuais, psicológicos ou económicos, de modo directo ou indirecto, por meio de ameaças, enganos, coação ou qualquer outro meio, a qualquer pessoa que habite na mesma casa (pais, filhos, conjugues, companheiros ou namorados e ainda crianças, jovens e idosos) ou que, não habitando na mesma casa que o agressor, seja conjugue ou companheira ou ex-conjugue ou ex-companheira, ou tenha uma relação de parentesco directa.

Tipos de Violência
A violência familiar tem um modelo de comportamentos abusivos que podem ser físicos, sexuais e psicológicos, usados por uma pessoa contra outra, num contexto de intimidade, o agressor pretende adquirir poder ou manter a vítima controlada.
- A violência parental refere-se ao facto de certos actos dos pais, (ou de outras pessoas que desempenhem esse papel e funções) prejudicarem os direitos e as necessidades das crianças, como o seu desenvolvimento psicomotor, intelectual, moral, afectivo ou relacional.
- A violência conjugal pode ser definida por duas formas diferenciadas: a violência que decorre de um conflito mútuo entre os companheiros ou a violência que decorre do mau uso do poder masculino sobre o feminino. Esta violência traduz-se na adopção de comportamentos impróprios, cometidos intencionalmente sobre o (a) companheiro (a) e estes podem incluir actos violentos ou não violentos.

A violência física pressupõe o uso da força com objectivo de ferir, deixando ou não marcas evidentes. Esta violência está associada à punição corporal, onde são comuns: os murros, os empurrões, os pontapés, as queimaduras, os cortes, o estrangulamento, amarrar e arrastar.
A violência sexual compreende uma variedade de actos (uso da força, chantagem, suborno, manipulação e ameaças) que obrigam a pessoa a manter contacto sexual contra a sua vontade, no casamento ou noutros relacionamentos. A violência sexual é cometida, na maioria das vezes, por pessoas que a mulher conhece (marido ou companheiro) e acontece dentro do espaço doméstico, o que contribui para a sua invisibilidade.
A violência psicológica afigura-se por vezes tão ou mais nociva para as vítimas como a física, ainda que esta não seja tão visível e perceptível. São actos que se traduzem em gritos, ameaças e chantagens; perseguições; dizer mal de tudo o que a pessoa faz; diminuir a pessoa em público com comportamentos e palavras; insultar; entre outros exemplos. Estes comportamentos produzem sentimentos de rejeição, depreciação, discriminação, humilhação e desrespeito cujas consequências negativas no desenvolvimento dos seres humanos poderão revelar-se irreversíveis.
A violência económica ou financeira diz respeito a todos os actos destrutivos do (a) agressor (a) que afectam a saúde emocional e a sobrevivência dos membros da família. Alguns dos exemplos são: o roubo, a destruição de bens pessoais ou de bens da sociedade conjugal e o uso dos recursos económicos da mulher, destituindo-a de gerir os seus próprios recursos e deixando-a sem provimentos e cuidados.

Vítimas
A vítima de violência doméstica geralmente apresenta um conjunto de características que poderão corresponder a sinais de alerta para os que a rodeiam, de que algo a está a perturbar. Estes sinais podem mudar tendo em conta se a vítima é um adulto, uma criança ou adolescente. As mulheres são evadidas por sentimentos contraditórios de amor, ódio, revolta, medo, baixa auto-estima, sentimento de culpa e vergonha da violência cometida pelo companheiro.
As razões de ordem cultural, religiosa, crenças, práticas pessoais, dependência financeira, a esperança de que o comportamento do agressor vai mudar ou porque temem as consequências do abandono do companheiro(a), ou então porque existem antecedentes de agressores na infância, em que o pai batia na mãe e/ou ela própria sofreu de violência por parte dos pais, estas constituem algumas das razões que dificultam a decisão de quebrar com situações de violência.
Deste modo, verificamos que as vítimas revelam uma tendência para se acomodarem a situação por longos períodos (quando não dura uma vida) e por isso mesmo desenvolvem estratégias que lhes permite viver e lidar melhor com a situação que vivenciam.
Agressores
Designam-se por agressores violentos e perigosos todos os indivíduos que têm comportamentos ou atitudes anti-sociais que põem em risco a integridade física e psicológica de outras pessoas.
Apesar de não se poder retratar fielmente o perfil do agressor, pode dizer-se que estes aparentam ser bons maridos, companheiros carinhosos e cidadãos exemplares, contrariamente ao comportamento que revelam em casa onde a violência adquire muitas vezes contornos intoleráveis.
Os agressores elegem, muitas vezes, formas encobertas e dissimuladas como a negação da subsistência económica, a anulação da autonomia das parceiras, a utilização de terceiros, muitas vezes os filhos, ou através da adopção de comportamentos agressivos e destrutivos contra animais e/ou objectos. Muitas vezes estes comportamentos estão associados a problemas de desajuste psicológico, onde o ciúme tem especial expressão bem como o consumo de álcool.

Respostas de intervenção
A inexistência de instituições que apoiam as vítimas condiciona, à partida a denúncia do crime, havendo por isso a necessidade de criar e implementar novas estratégias e programas de intervenção que garantam a segurança e a protecção da vítima. Existem respostas institucionais que dispõem de apoio jurídico, judiciário, psicológico, económico e habitacional. Das instituições que direccionam a sua intervenção para estas situações específicas podemos destacar:
- A Comissão para a Igualdade dos Direitos da Mulher (CIDM)
- As Comissões de Protecção a Crianças e Jovens (CPCJ)
- A PSP/GNR
- O Tribunal/ Ministério Público
- 144
- O Instituto de Medicina Legal
- A CIDM e a Ordem dos Advogados

Violência no namoro
A violência no namoro existe quando, numa relação amorosa, um exerce poder e controlo sobre o outro, com o objectivo de obter o que deseja. Esta acontece em pessoas de diferentes estratos sociais, faixas etárias, religiões, etnias e ocorre em todos os casais (hetero e homossexuais).

Como posso saber se estou a viver uma relação de namoro violenta?
Decidir viver numa relação amorosa não violenta requer saber identificar os sinais de uma relação violenta.
Estás a viver uma relação amorosa violenta se o teu namorado:
- Empurra-te, arranha-te, belisca-te;
- Dá-te ordens ou toma todas as decisões;
- Não dá valor às tuas opiniões;
- É ciumento e possessivo, não quer que saias com as tuas amigas e amigos
- Controla todos os teus movimentos (pergunta constantemente onde estiveste e com quem estiveste);
- Humilha-te à frente das tuas amigas e amigos (insulta-te, diz que nada serias sem ele, entre outras coisas);
- Pressiona-te para terem relações sexuais não protegidas ou práticas sexuais não desejadas;

Porque é que uma jovem mantém uma relação de namoro violenta?
Normalmente a violência não é uma constante na relação, acontece ocasionalmente, e após o episódio de violência existe a chamada fase de “lua-de-mel”. Nesta fase, o agressor procura desculpabilizar-se e desresponsabilizar-se, pedindo desculpa e oferecendo presentes e prometendo que a violência não voltará a acontecer. Por vezes, é preciso coragem para terminar uma relação que não é violenta, mas quando se trata de uma relação violenta torna-se ainda mais difícil.

Violência Familiar nas crianças
A violência entre pais ocorre sobretudo em casa, meio geralmente associado à segurança e protecção das crianças, pelo que se apresenta, nesta situação, um cenário contraditório, em que a vítima directa e o ofensor são ambas pessoas que a criança identifica como figuras de suporte.
Uma criança exposta à violência, é aquela que vê, ouve um incidente de agressão, vê o seu resultado ou que vivencia o seu efeito. Ao contrário daquilo que se pensa a criança não pode fugir à exposição nem aos efeitos da violência. Estudos realizados mostram que em 80% dos lares as crianças assistem à violência conjugal e que 90% destas crianças testemunham a violência que um dos companheiros exerce no outro. Nos últimos anos o reconhecimento da exposição das crianças à violência conjugal aumentou, mas a verdade é que esta forma de violência continua a não ser admitida, pela sociedade, como um problema.

Consequências para a criança testemunha de violência doméstica
A violência interparental adquire várias formas, onde o desprezo, terror, ameaças, gritos, rejeição, negação de respostas emocionais, isolamento, humilhação, exploração, entre outras, marcam presença, acabando a criança, que assiste à violência parental, por ser objecto desta violência. As crianças que testemunham esta violência não apresentam marcas físicas mas problemas emocionais. Deste modo as crianças que vivenciam a violência interparental apresentam alguns problemas tais como:
- Interacção social;
- Dificuldades escolares, de saúde e comportamentais;
- Agressividade e temperamento difícil;
- A existência de sentimentos como a angústia, tristeza e insegurança;
- Baixos níveis de realização académica.