“... Uma gravidez na adolescência implica um duplo esforço para a jovem: ser mãe e ser jovem!”
A adolescência assume-se como um importante período da vida, que corresponde a diferentes tomadas de posição sentidas ao nível social, familiar e também sexual. A puberdade marca o início da vida reprodutiva de rapazes e raparigas, sendo caracterizada por mudanças fisiológicas e psicológicas. Uma gravidez na adolescência implica um duplo esforço de adaptação fisiológica e uma conciliação de duas realidades que convergem num único momento: estar grávida e ser adolescente.
De um modo geral, a taxa de fecundidade diminui em todos os grupos etários, mas entre os adolescentes de 15 a 19 anos baixo menos, andando à volta dos 14 casos de gravidez por cada mil adolescentes (nos E.U.A. o número é de 96 casos de gravidez por cada mil adolescentes!). Outro facto importante é a escassa utilização de métodos anti-concepcionais e a alta percentagem de abortos provocados neste grupo etário. Em Portugal, aproximadamente 10% das mulheres em quem são praticados abortos legais têm menos de 20 anos, e por outro lado, nos Estados Unidos 40% das adolescentes grávidas recorrem ao aborto!
A gravidez na adolescência não é um fenómeno novo. Talvez alguns factores sociais actuais permitam uma análise aproximada das suas causas: puberdade numa idade mais precoce, trivialização da sexualidade, erotismo constante nos meios de comunicação, adolescência demasiado longa, etc.
Em Portugal, segundo os dados do INE (Instituto Nacional de Estatística), em 1998 havia 95 mães com menos de 15 anos e 7308 entre os 15 e os 19 anos.
A gravidez na adolescência, como o próprio termo já define, consiste na gravidez de uma adolescente. Uma gravidez indesejada na adolescência ocorre por várias razões: porque o método contraceptivo falhou ou pela má utilização do mesmo, porque não se utilizou qualquer protecção durante as relações sexuais, por falta de informação, pela existência do pensamento mágico de que “só acontece aos outros”, ou ainda por crendices e mitos à volta das relações sexuais (como por exemplo: na primeira vez não há risco de ficar grávida ou que quando “se faz de pé” não há problema!).
Existem, porém, gravidezes que são desejadas durante a adolescência e que são determinadas por padrões culturais ou por questões mais complexas, como por exemplo: o sentir que estando grávida se consegue o amor do namorado, a fantasia de que a gravidez lhe trará mais afecto, atenção por parte dos outros, como forma de sair de casa dos pais mais rapidamente ou até mesmo pela idealização de que o bebé lhe trará o “papel da sua vida”.
Antes de decidir engravidar, a rapariga e o rapaz, devem pensar e falar entre si e talvez com os amigos ou com um adulto em quem confiem, na responsabilidade que é ter um filho, como um filho altera completamente a nossa vida e da quantidade de coisas de que é preciso prescindir depois de se ter um filho…
Muitas jovens já se depararam com uma situação que, para muitas, foi aterradora: será que estou grávida?! Ora, se já existiram relações sexuais desprotegidas - pelos mais variados motivos - e a menstruação não apareceu na altura em que deveria surgir, não vale a pena entrar em pânico, mas também não adianta “fingir” que não é nada. É preciso reflectir um pouco sobre a situação e avançar para um teste de gravidez. Ora, estas situações de dúvida são origem de algumas “desconfianças” das jovens, que normalmente são baseadas no que chamamos sintomas de gravidez. Eis alguns exemplos desses sintomas:
- Seios doridos;
- Muito sono e cansaço;
- Atraso da menstruação;
- Náusea e vómitos;
- Desejo por certos alimentos;
- Escurecimento dos mamilos;
- Dor nas costas;
- Vontade frequente de urinar.
Apesar de e a taxa de gravidez na adolescência ser elevada, têm-se tomado medidas por todo o Mundo para combater esta realidade. A forma mais utilizada é a maior divulgação dos métodos contraceptivos, quer seja na escola (nas disciplinas de educação sexual) quer seja em campanhas a nível local. Estes formam um conjunto de dispositivos ou medicamentos que ajudam para a prevenção e redução da gravidez. Os mais conhecidos são:
Preservativo – é um método de barreira que são um obstáculo físico para dificultar ou impedir os movimentos dos espermatozóides em direcção ao sistema reprodutivo feminino.
Pílula – é um método hormonal que interfere no ciclo ovarino da mulher à custa de hormonas que impedem a ovulação.
Contudo, tem-se tentado expandir um movimento de sensibilização em relação à gravidez na adolescência. Maria Helena Vilela, directora do instituto Kaplan (centro de estudos da sexualidade humana), aponta uma outra realidade como medida de combate, afirmando:
“É preciso entender que os paradigmas da sexualidade mudaram exponencialmente na última década. A escola, através dos seus professores capacitados com metodologia eficiente, será a maior aliada dos países e do Governo para combater e prevenir a gravidez na adolescência”.
Porém, actualmente, se mesmo com o uso dos métodos anti-concepcionais a gravidez se consolidar, existe mais um recurso para as jovens grávidas: a I.V.G. (Interrupção voluntária da gravidez). Antes de mais, I.V.G. é um direito de todas as mulheres que consiste na interrupção da gravidez até às 10 semanas, desde que seja realizado em estabelecimentos de saúde oficiais ou oficialmente reconhecido. Apenas a própria mulher pode fazer o pedido de interrupção de gravidez, salvo no caso de ser psiquicamente incapaz. O I.V.G., também conhecido como aborto, pode ser feito de modo cirúrgico ou medicamentoso, mas em ambos consiste na toma de medicamentos e comprimidos acompanhados por um médico.
Em Portugal, a 11 de Fevereiro de 2007, através de um referendo, os portugueses escolheram legalizar a Interrupção Voluntária da Gravidez até às 10 semanas, a pedido da mulher, num estabelecimento de saúde autorizado. Depois da aprovação da lei nº. 16/2007 (de 17 de Abril), em Junho de 2007, a I.V.G. tornou-se legal. Interromper a gravidez no Sistema Nacional de Saúde é um direito de todas as mulheres portuguesas ou estrangeiras residentes em Portugal (continental e ilhas).
Ao longo dos anos têm-se criado mitos e dúvidas constantes sobre a gravidez. Ficam aqui alguns exemplos:
- Se tomar banho a seguir ao acto sexual engravido?
- Engravido se for a primeira vez que tiver relações sexuais?
- Posso engravidar depois da menstruação?
- Engravido se tiver relações sexuais de pé?
- Existe a possibilidade de engravidar se retirar o pénis antes da ejaculação?
Todos estes mitos apontados são “falsos”, ou seja, em todos estes existe a possibilidade de a mulher engravidar! Não é por tomar banho depois ou por ter relações sexuais de pé que os espermatozóides não vão “chegar” aos ovários!
Estas são somente teorias erradas que se foram alastrando, e que actualmente fundamentam dúvidas para muitas mulheres! Mas desde já fica aqui o esclarecimento. Em todos estes casos a gravidez é uma possibilidade!