quarta-feira, 27 de maio de 2009
Prostituição
Na antiguidade, em muitas civilizações, a prostituição era praticada por meninas como uma espécie de ritual de iniciação quando atingiam a puberdade. No Egipto antigo, na região da Mesopotâmia e na Grécia, via-se que a prática tinha uma ritualização. As prostitutas, consideradas grandes sacerdotisas (portanto sagradas), recebiam honras de verdadeiras divindades e presentes em troca de favores sexuais.
Grécia e Roma
As prostitutas eram admiradas, porém tinham que pagar pesados impostos ao Estado para praticarem sua profissão; deveriam também utilizar vestimentas que as identificassem, pois caso contrário eram severamente punidas. Na Grécia, existia um grupo de cortesãs, chamadas de hetairas, ou heteras, que frequentavam as reuniões dos grandes intelectuais da época. Eram muito ricas, belas, cultas e de extrema refinação; exerciam grande poder político e eram extremamente respeitadas.
Cristianismo e Idade média
Durante a Idade Média houve a tentativa massiva de eliminar a prostituição, impulsionada pela em parte pela moral cristã mas também no grande surto de DSTs. Em muitas Cortes, o poder das prostitutas era muito grande: muitas tinham conhecimento de questões do Estado, tanto que a prostituição passou a ser regulamentada. Quando houve a Reforma religiosa no século XVI, o puritanismo começou a influir de forma significativa na política e nos costumes. Somada a este evento, aconteceu uma grande epidemia de doenças sexualmente transmissíveis. A Igreja Católica enfrentou frontalmente o problema da prostituição, lançando mão de recursos teológicos (dogmas, tradição e textos Bíblicos). Com esta acção a prostituição foi relegada a uma posição de clandestinidade.
Revolução Industrial
Com o advento da Revolução Industrial, houve um crescimento na prostituição. Face aos baixos salários e para fugir à miséria, as mulheres trabalhadoras viram-se forçadas àquilo que os franceses chamaram Le cinquième quart de la journée: muitas prostituição em troca de favores dos patrões e capatazes, expandindo novamente a prostituição e o tráfico de mulheres. Somente em 1899 aconteceram as primeiras iniciativas para acabar com a escravidão e exploração sexual de mulheres e meninas. Vinte e dois anos mais tarde, a Liga das Nações mobilizou-se para tentar erradicar o tráfico para fins sexuais de mulheres e crianças.
Século XX /Prostituta moderna
Desde o início do século XX, os países ocidentais tomaram medidas visando a retirar a prostituição da actividade criminosa onde se tinha inserido no século anterior, quando a exploração sexual passou a ser executada por grandes grupos do crime organizado; portanto, havia a necessidade de desvincular prostituição propriamente dita de crime, de forma a minimizar e diminuir o lucro dos criminosos. Dessa forma as prostitutas passaram a ser somente perseguidas pelos órgãos de repressão se incitassem ou fomentassem a actividade publicamente.
Com a disseminação de medidas sanitárias e de higiene e, o controlo da propagação de doenças sexualmente transmissíveis (DST) e outras enfermidades correlatas à prostituição parecia próximo até meados da década de 1980 no século XX, porém, a SIDA tornou a prostituição uma prática potencialmente fatal para prostitutas e clientes, havendo no início da enfermidade uma verdadeira epidemia.
A prostituição em Portugal
A prostituição em Portugal não é prevista por nenhuma lei específica. Em meados da década de 2000 o número de prostitutas estimava-se em 28,000, sendo pelo menos 50%, estrangeiras. A prostituição tornou-se mais visível desde princípios da década de 1990 com uma onda migratória do Brasil e de países da Europa de Leste. Encontram-se facilmente serviços de prostituição em revistas, jornais e sítios da Internet. Fontes da imprensa sugerem que metade das mulheres no ramo da prostituição em Portugal são estrangeiras, especialmente do Brasil e do Leste Europeu, mas também de África e de alguns países da Ásia.
Em Portugal, a prostituição ocorre em vários cenários distintos. Jovens prostitutas especialmente atraentes e dispendiosas, que se anunciam na Internet e nas bancas de jornais, podem ser encontradas facilmente nas maiores cidades e nas mais frequentadas estâncias turísticas. A prostituição pode também ter lugar no apartamento da prostituta, que se pode localizar em qualquer lugar, desde as áreas suburbanas até aos apartamentos de luxo na baixa das maiores cidades. Ocorre prostituição em algumas salas de massagens, bares e pubs. Há bordéis "não-oficiais" que são estabelecimentos especificamente virados para a prostituição, mas disfarçados de pensões ou restaurantes. Há uma forma de prostituição frequentemente disfarçada de agências de acompanhantes, que fornecem acompanhantes atraentes para ocasiões sociais - esses ou essas acompanhantes providenciam serviços sexuais adicionais aos clientes.
Prostituição heterossexual e homossexual masculina também ocorre em vários cenários distintos, que vão desde os bares gay às discotecas e estâncias balneares. Uma grande percentagem dos indivíduos de sexo masculino envolvidos em prostituição são também estrangeiros, especialmente do Brasil e de África. O conceito de gigolô é usado e é normalmente associado a prostitutos com uma clientela exclusivamente feminina. A maioria das grandes cidades tem uma área onde prostitutos homossexuais regularmente se disponibilizam a potenciais clientes do sexo masculino que passem em viaturas.
Prostituição transexual também existe, particularmente por travestis brasileiros, nomeadamente prostituição de rua em determinadas áreas.
Um dos locais onde a prostituição está a aumentar em Portugal, é na Internet.
Os motivos que levam as mulheres a prostituir-se
Os motivos que levam as mulheres a prostituir-se são difíceis de analisar, pois diferem de caso para caso. Contudo, as razões estão relacionadas com carências económicas e ausência de afecto e contacto social.
Muitas das prostitutas fazem a sua actividade por dinheiro: umas procuram uma actividade de emergência para combater problemas económicos, outras querem ter uma vida que consideram mais glamurosa e luxuosa.
Também há as que estão no mundo da prostituição por obrigação dos companheiros que as maltratam, violentam e as obrigam a vender-se para sustentar os seus vícios como o álcool ou o tabaco.
Por seu lado as adolescentes que vivem em bairros degradados, que pertencem a famílias numerosas e pais alcoólicos, que sofreram maus tratos, fome, abandonos e abusos não conseguem ter uma vida “normal” no futuro, acabando por ingressar no mundo da prostituição (até muito novas para suportar despesas em casa), pois sentem-se sozinhas e não têm ninguém que as ampare e que lhes diga o que devem ou não devem fazer.
Cada vez mais nos deparamos com casos de prostituição na adolescência. As jovens são arrastadas para a prostituição por um adulto, o proxeneta, que conhece bem as suas necessidades psicológicas: provêm de famílias pobres, com problemas sociais (alcoolismo, violência doméstica) e que necessitam (mais que ninguém) de carinho e afecto sentindo uma necessidade muito forte de dependerem de alguém. O proxeneta aborda-as de forma romântica e oferece presentes vistosos, convencendo-as de que lhes pode dar a protecção, a segurança e o amor de que elas necessitam. Assim ele ensinas-a a executar actos de sexo e estas rapidamente se disponibilizam para trabalhar para ele. Para estas adolescentes, a atenção, os presentes e o amor ilusório oferecidos tornam-se verdadeiramente irresistíveis. Pelo menos, a presença do proxeneta leva-as a sentirem-se amadas, sentimento que não vivenciaram no seu contexto familiar de origem.
A prostituição masculina também é uma prática corrente, embora com menos expressão que a feminina. Os motivos pelos quais os homens se prostituem são fundamentalmente os mesmos que as mulheres prostitutas: necessidade de dinheiro, mas mais uma vez o que os diferencia é o uso que lhes dá.
Uns querem viver melhor: vestir roupas caras, frequentar sítios de luxo, outros sustentar vícios como os do jogo e poucos são os que se prostituem para (sobre)viver: pagar a conta do gás, da luz, da água, a escola dos filhos, etc.
Cada vez mais mulheres recorrem à prostituição como actividade de emergência para combater os problemas económicos. É aquilo que os técnicos que se dedicam ao acompanhamento das prostitutas apelidam por prostituição SOS: mulheres entre os 35 e os 50 anos, de classe média-baixa, que vendem o seu corpo de forma esporádica para pagar as despesas. Quando a despesas são suportadas a dois, tornam-se mais suaves, mas se os maridos saem de casa, muitas mulheres ficam numa situação complicada. Nestes casos o dinheiro não chega para pagar as contas e, quando acaba, o recurso à prostituição acaba por ser uma solução. Assim as mulheres prostituem-se várias vezes por semana, trabalham em part-time (actividade muito mal paga a tempo inteiro), têm filhos adolescentes a estudar, estão separadas e os maridos não pagam a pensão de alimentos.
Motivos que levam os clientes a procurarem as prostitutas
As razões pelas quais os homens procuram as prostitutas são mais diversificadas e são o reflexo da sociedade em que vivemos. São homens que procuram prazer sem compromissos, homens que não conseguem manter uma relação, que querem experimentar fantasias a que a parceira não está disposta, por causa de muitos tabus que existem sobre o sexo e as pessoas fazem dele “um bicho de sete cabeças”.
Ao recorrer às “mulheres da vida”, os homens procuram sexo rápido, sem compromissos para aliviar o stress.
É um facto que o sexo é uma das necessidades do homem e que muitas mulheres não correspondem da mesma maneira. Para além de não terem a mesma vontade para uma relação sexual, muitas mulheres alegam cansaço, stress, dores de cabeça, recusando-se assim a uma relação que satisfaça o seu parceiro e não o faça recorrer a prostitutas. Também existem homens que querem satisfazer as suas fantasias com outros homens, pelo que recorrem a travestis (oferta masculina).
Há que referir também que há homens que procuram as prostitutas, não por sexo, mas porque querem um afecto, um abraço, um carinho, alguém com quem conversas, ou seja, a atenção que lhes falta.
Por último, há homens com quem a esmagadora maioria das mulheres nunca se envolveram: ou porque são muito feios, ou porque não tomam banho, ou porque não se sabem comportar. Assim as “mulheres da vida” surgem como a única resposta a estes casos que sem elas se tornavam num grande problema para a sociedade.
No que toca à procura feminina de prostitutos e até prostitutas, esta deve-se maioritariamente à procura de afecto, carinho, uma simples conversa que não conseguem obter. Contudo, existem também mulheres que procuram a realização de fantasias, que procuram sexo de outra forma não realizam.
Racismo
Como definição, o racismo é a tendência do pensamento, ou do modo de pensar em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas e superiores umas às outras. Onde existe a convicção de que alguns indivíduos e sua relação entre características físicas hereditárias, e determinados traços de carácter e inteligência ou manifestações culturais, são superiores a outros. O racismo não é uma teoria científica, mas um conjunto de opiniões pré concebidas onde a principal função é valorizar as diferenças biológicas entre os seres humanos, em que alguns acreditam ser superiores aos outros de acordo com sua matriz racial. A crença da existência de raças superiores e inferiores foi utilizada muitas vezes para justificar a escravidão, o domínio de determinados povos por outros, e os genocídios que ocorreram durante toda a história da humanidade.
História do Racismo
A verdadeira origem do racismo remonta a antiguidade romana, grega e egípcia. Estes povos, no pós-guerra, tornavam o vencido cativo do vencedor. Estas acções aproximavam-se mais da xenofobia do que propriamente do racismo. Este conceito só veio a aproximar-se realmente do racismo com o início da expansão cristã por mar e por terra. As guerras eram maioritariamente feitas entre os cristãos e muçulmanos pois eram considerados uma raça inferior por não partilharem a mesma religião, língua e costumes. Já durante as descobertas, a escravatura era perfeitamente aceite pela sociedade havendo inclusive tribos que davam mão-de-obra escrava como moeda de troca.
Já na renascença, a Europa assumia-se cada vez mais como o continente mais desenvolvido em diversos sectores levando assim os europeus a acreditar que eram a raça superior e escolhida por deus para conquistar e governar o mundo.
Por volta de meados do século XIX após a guerra civil americana Abraham Lincoln aboliu a escravatura, como resposta e modo de prevenção da integração dos recém-libertados negros na sociedade americana surgiu o grupo Klu Klux Klan. Durante anos o KKK perseguiu e ameaçou as casas e as famílias de negros e latinos com a famosa cruz em chamas no jardim das casas.
Ainda no século XIX houve vários cientistas que tentaram comprovar que os brancos eram uma raça superior através de medições do crânio e demonstrações genéticas.
A Primeira Grande Guerra Mundial teve grandes repercussões na Europa ao nível racial. A Alemanha, humilhada pela derrota e pela assinatura do tratado de Versalhes, iniciou uma corrida ao armamento pela mão de Hitler que não tardou a culpar os judeus pelos problemas económicos que a Alemanha tinha enfrentado.Nos campos de concentração as condições de vida para todos os que não fossem arianos eram desumanas. Pessoas dormiam amontoadas, trabalhavam de sol a sol como escravos e o seu fim era invariavelmente a câmara de gás, quando de deixavam de ter utilidade.
Por fim, o Apartheid, é uma palavra de origem africana que significa “vida separada”, isto transposto para o plano político significa que brancos e negros não se misturavam. A África do Sul foi dividida territorialmente em duas e tendo que a população negra era exponencialmente maior que a branca, com isto a zona territorial que pertencia aos negros estava sobrelotada vendo-se inúmeras famílias a partilharem a mesma casa em quanto a população branca tinha enormes propriedades.
Tipos de Racismo
O racismo individual compreende as atitudes, comportamentos, socialização e interesse pessoal. Esse tipo de racismo assemelha-se ao preconceito racial, pois o indivíduo racista acredita que as pessoas e os grupos negros são inferiores aos brancos, devido aos traços físicos, acreditando serem estes determinantes do comportamento social, bem como das qualidades morais ou intelectuais, supondo que essa inferioridade é uma das bases legítimas para o tratamento social inferior de pessoas negras.
O racismo cultural fundamenta-se no absolutismo da cultura branca sobre a cultura e na desqualificação das manifestações culturais negras, no que se refere à religião, estética, música, filosofia, valores, necessidades e crenças.
O racismo institucional é a discriminação do indivíduo no sistema de Trabalho, Justiça, Económico, Político, Educação e nas demais instituições de uma determinada sociedade.
O racismo ecológico ou ambiental é a forma mais recente discriminação contra a “Mãe Natureza”, os seus ecossistemas e, sobretudo, os povos mais pobres. Surge na nova concepção histórica do mundo ocidental, que consiste na separação entre os ricos do Norte e os pobres do Sul. 60% da população pobre, de maioria negra, vive em áreas ecologicamente vulneráveis do planeta: terras áridas ou pouco produtivas, topos de montanhas, pântanos, nos centros urbanos e suburbanos lugares inadequados para a construção de moradias no meio rural, onde dependem da natureza para sobreviver, são destruídos por modelos de desenvolvimento predatórios, baseados na busca do lucro a todo custo e na exploração desenfreada dos recursos naturais.
Drogas
Droga é toda e qualquer substância, natural ou sintética que, introduzida no organismo modifica suas funções. É um termo que abrange uma grande quantidade de substâncias, que pode ir desde o carvão à aspirina.
A palavra droga, presta-se a várias interpretações, mas ao senso comum é uma substância proibida, de uso ilegal e nocivo ao indivíduo, modificando-lhe as funções, as sensações, o humor e o comportamento.
Classificação das drogas
A classificação das drogas segundo o NIDA (National Institute of Drug Abuse) é a seguinte:
As drogas depressoras – diminuem a actividade do sistema nervoso central. Estas integram os Opiáceos (ópio, morfina, heroína e metadona), as bebidas alcoólicas (vinho, cerveja, licores, entre outras) e os hipnóticos e sedativos (soníferos e tranquilizantes);
As drogas estimulantes – aumentam a actividade do sistema nervoso central, podendo ser maior (anfetaminas e cocaína) ou menor (café, chá, tabaco, cacau) a actividade que exercem.
As drogas depressoras e estimulantes – estas alteram a percepção cuja influência é ao nível da consciência e de algumas sensações. Aqui encontramos os Alucinógenos (LSD, mescalina), a Cannabis (marijuana e haxixe), as drogas de desenho (extasy) e os inalantes (dissolventes).
Tipos de Drogas
Álcool
O álcool é uma droga depressora, que se apresenta sob a forma de um líquido produzido a partir de cereais, raízes e frutos.
O álcool é a droga legal mais consumida em Portugal. No entanto, de acordo com a Legislação Portuguesa, só pode ser adquirida e consumida por maiores de 16 anos. Por ser legal, a maioria das pessoas não valoriza os riscos que esta droga representa para a saúde sendo visto como presença indispensável em festas e comemorações, caindo-se muitas vezes no abuso da substância.
Depois de consumir:
Eufórico;
Divertido;
Relaxado.
Se consumirmos de forma exagerada algumas vezes:
Perda de equilíbrio - descoordenação motora;
Agressividade;
Coma alcoólico.
Se consumirmos de forma exagerada durante muito tempo:
Anemia;
Problemas hepáticos e gastrointestinais;
Diminuição das defesas do Sistema Imunitário.
Ecstasy (MDMA)
O ecstasy é uma substância sintética sendo o MDMA o componente mais comum responsável pelos seus efeitos. É uma substância estimulante com propriedades alucinogénias e apresenta-se sob a forma de cápsulas, comprimidos ou pó.
Depois de consumir:
Aumento de energia física e psíquica;
Elevação do humor e bem-estar;
Perda de apetite;
Aceleração do ritmo cardíaco e da tensão arterial.
Se consumirmos de forma exagerada algumas vezes:
Intoxicação (mais provável se consumido com outras drogas).
Se consumirmos de forma exagerada durante muito tempo:
Perturbações do sono;
Problemas cardíacos;
Intoxicações hepáticas;
Redução da resistência às infecções virais.
Cocaína
É uma droga estimulante que se apresenta sob a forma de um pó branco. Habitualmente inalada ou injectada, também pode ser consumida por outras formas (por absorção das mucosas, por exemplo: esfregando-a nas gengivas).
Depois de consumir:
Desinibição;
Aumento do ritmo cardíaco, arritmias e palpitações;
Perda de apetite;
Excitação.
Se consumirmos de forma exagerada algumas vezes:
Convulsões;
Agressividade;
Náuseas, vómitos;
Alucinações.
Se consumirmos de forma exagerada durante muito tempo:
Cansaço;
Inquietação;
Apatia sexual ou impotência;
Problemas cardíacos e respiratórios.
Heroína
Se consumirmos de forma exagerada algumas vezes:
Euforia;
Náuseas e vómitos;
Supressão da dor:
Abortos espontâneos.
Se consumirmos de forma exagerada durante muito tempo:
Dependência;
Doenças infecciosas como hepatite B e C;
SIDA.
Cannabis
A Cannabis apresenta-se sob três formas: a marijuana ou erva, o haxixe ou chamon e o óleo de cannabis ou óleo de haxixe. A cannabis é geralmente fumada com tabaco mas também pode ser consumida por ingestão.
A cannabis é uma droga com efeitos ambíguos, esta nem é estimulante nem depressora e só é alucinogénia se for tomada em grandes quantidades. Os seus efeitos começam após alguns minutos do consumo e podem durar uma hora ou mais.
Depois de consumir:
Relaxamento;
Desinibição;
Desconcentração;
Alterações físicas (aumento da frequência cardíaca, olhos vermelhos, aumento do apetite).
Se consumirmos de forma exagerada algumas vezes:
Alucinações;
Ansiedade;
Descoordenação motora.
Se consumirmos de forma exagerada durante muito tempo:
Debilitação física;
Problemas respiratórios;
Problemas de memória, atenção e concentração.
Tabaco
O tabaco é fabricado a partir das folhas da Nicotina tabacum L. É uma droga estimulante que se apresenta sob a forma de cigarros, charutos, folhas para enrolar ou em pequenas folhas para colocar nos cachimbos. É uma folha da planta do tabaco seca à qual são adicionados outros químicos. Quando fumado o tabaco liberta milhares de substâncias químicas, entre elas a nicotina.
Depois de consumir:
Descontracção;
Estimulação intelectual;
Acção tranquilizante.
Se consumirmos de forma exagerada durante muito tempo:
Enfraquecimento do sistema imunitário;
Úlceras digestivas;
Cancro do estômago e da boca.
Razões para o uso de drogas
Razões emocionais – Necessidade de aumento do amor-próprio e da auto-confiança, de se livrar das alterações emocionais, de reduzir a ansiedade ou tensão, de intensificar as emoções e de evitar a pressão de ter que tomar decisões.
Razões intelectuais – relacionam-se com os efeitos das drogas nos processos de pensamento, como por exemplo, para reduzir o tédio, evitar o cansaço mental, melhorar a capacidade de concentração e satisfazer a curiosidade.
Razões sociais – Necessidade de se relacionar com outras pessoas, como por exemplo para ser aceite como membro de um grupo, ganhar reconhecimento ou admiração dos amigos, ultrapassar a timidez, fugir de alguns problemas de solidão e aumentar a comunicação com outras pessoas.
Razões físicas – Efeitos físicos causados pelo uso das drogas, como por exemplo para se livrar das dores, intensificar a expressão de determinados comportamentos emocionais, aumentando ou diminuindo a euforia (o rir, o sorrir) a tristeza (o chorar), para aumentar a energia ou a resistência e não sentir fome.
Não existe apenas uma razão que explique o consumo de drogas, mas sim uma combinação entre elas. Por exemplo, fumar marijuana, pode satisfazer a necessidade de receber a aprovação dos outros e a de sentir amor-próprio.
Consequências
Físicas
Efeitos físicos do consumo: overdose. Pode ainda existir o risco de contágio pelo vírus do HIV/SIDA, da tuberculose e das hepatites, bem como de outras infecções, não só pela via do acto do consumo (partilha de seringas e outros utensílios) mas também devido a outros comportamentos de risco (por exemplo comportamentos sexuais de risco) que aumentam quando se utiliza drogas. Para além disso, são frequentes os acidentes de viação provocados pelo consumo de drogas e/ou álcool.
Psíquicas
Dificuldades intelectuais, perturbações mentais, depressões, ansiedade, falta de memória, dificuldades de concentração, pensamentos estranhos, variações de humor, entre outros.
Financeiras e económicas
As drogas são caras e por isso exigem grandes quantias de dinheiro. Frequentemente os consumidores de drogas gastam acima das suas possibilidades, contraem dívidas e cometem actos ilegais para sustentar o consumo.
Sociais
Dificuldades no relacionamento com os outros, rejeição por parte dos outros, solidão e, no limite, dependência de instituições (de tratamento, de solidariedade social, etc.). As drogas, como o álcool, também podem originar comportamentos violentos (por exemplo, violência familiar ou violência nas ruas e em locais de diversão).
Tratamento
Os tratamentos nos CATs baseiam-se em três processos:
Desintoxicação ou ajuda no processo de eliminação do consumo sem sofrer o síndroma de abstinência.
Reabilitação psicológica do toxicodependente. Não basta que ele deixe de consumir. Aliás, a eliminação do consumo ou desintoxicação é a fase mais fácil do processo; só na reabilitação psicológica é que começa a parte difícil do tratamento. É necessário que o toxicodependente sinta que é capaz e tem razões para viver sem a droga, estimulando e desenvolvendo a sua auto-estima, os seus interesses e as suas capacidades através de diversas actividades e aconselhamento familiar.
Reinserção social é também uma parte difícil do processo. É necessário que o (ex) toxicodependente trabalhe, eventualmente constitua família, e se insira progressivamente em associações ou em actividades integradas no seu meio social.
terça-feira, 28 de abril de 2009
Gravidez na adolescência
“... Uma gravidez na adolescência implica um duplo esforço para a jovem: ser mãe e ser jovem!”
A adolescência assume-se como um importante período da vida, que corresponde a diferentes tomadas de posição sentidas ao nível social, familiar e também sexual. A puberdade marca o início da vida reprodutiva de rapazes e raparigas, sendo caracterizada por mudanças fisiológicas e psicológicas. Uma gravidez na adolescência implica um duplo esforço de adaptação fisiológica e uma conciliação de duas realidades que convergem num único momento: estar grávida e ser adolescente.
De um modo geral, a taxa de fecundidade diminui em todos os grupos etários, mas entre os adolescentes de 15 a 19 anos baixo menos, andando à volta dos 14 casos de gravidez por cada mil adolescentes (nos E.U.A. o número é de 96 casos de gravidez por cada mil adolescentes!). Outro facto importante é a escassa utilização de métodos anti-concepcionais e a alta percentagem de abortos provocados neste grupo etário. Em Portugal, aproximadamente 10% das mulheres em quem são praticados abortos legais têm menos de 20 anos, e por outro lado, nos Estados Unidos 40% das adolescentes grávidas recorrem ao aborto!
A gravidez na adolescência não é um fenómeno novo. Talvez alguns factores sociais actuais permitam uma análise aproximada das suas causas: puberdade numa idade mais precoce, trivialização da sexualidade, erotismo constante nos meios de comunicação, adolescência demasiado longa, etc.
Em Portugal, segundo os dados do INE (Instituto Nacional de Estatística), em 1998 havia 95 mães com menos de 15 anos e 7308 entre os 15 e os 19 anos.
A gravidez na adolescência, como o próprio termo já define, consiste na gravidez de uma adolescente. Uma gravidez indesejada na adolescência ocorre por várias razões: porque o método contraceptivo falhou ou pela má utilização do mesmo, porque não se utilizou qualquer protecção durante as relações sexuais, por falta de informação, pela existência do pensamento mágico de que “só acontece aos outros”, ou ainda por crendices e mitos à volta das relações sexuais (como por exemplo: na primeira vez não há risco de ficar grávida ou que quando “se faz de pé” não há problema!).
Existem, porém, gravidezes que são desejadas durante a adolescência e que são determinadas por padrões culturais ou por questões mais complexas, como por exemplo: o sentir que estando grávida se consegue o amor do namorado, a fantasia de que a gravidez lhe trará mais afecto, atenção por parte dos outros, como forma de sair de casa dos pais mais rapidamente ou até mesmo pela idealização de que o bebé lhe trará o “papel da sua vida”.
Antes de decidir engravidar, a rapariga e o rapaz, devem pensar e falar entre si e talvez com os amigos ou com um adulto em quem confiem, na responsabilidade que é ter um filho, como um filho altera completamente a nossa vida e da quantidade de coisas de que é preciso prescindir depois de se ter um filho…
Muitas jovens já se depararam com uma situação que, para muitas, foi aterradora: será que estou grávida?! Ora, se já existiram relações sexuais desprotegidas - pelos mais variados motivos - e a menstruação não apareceu na altura em que deveria surgir, não vale a pena entrar em pânico, mas também não adianta “fingir” que não é nada. É preciso reflectir um pouco sobre a situação e avançar para um teste de gravidez. Ora, estas situações de dúvida são origem de algumas “desconfianças” das jovens, que normalmente são baseadas no que chamamos sintomas de gravidez. Eis alguns exemplos desses sintomas:
- Seios doridos;
- Muito sono e cansaço;
- Atraso da menstruação;
- Náusea e vómitos;
- Desejo por certos alimentos;
- Escurecimento dos mamilos;
- Dor nas costas;
- Vontade frequente de urinar.
Apesar de e a taxa de gravidez na adolescência ser elevada, têm-se tomado medidas por todo o Mundo para combater esta realidade. A forma mais utilizada é a maior divulgação dos métodos contraceptivos, quer seja na escola (nas disciplinas de educação sexual) quer seja em campanhas a nível local. Estes formam um conjunto de dispositivos ou medicamentos que ajudam para a prevenção e redução da gravidez. Os mais conhecidos são:
Preservativo – é um método de barreira que são um obstáculo físico para dificultar ou impedir os movimentos dos espermatozóides em direcção ao sistema reprodutivo feminino.
Pílula – é um método hormonal que interfere no ciclo ovarino da mulher à custa de hormonas que impedem a ovulação.
Contudo, tem-se tentado expandir um movimento de sensibilização em relação à gravidez na adolescência. Maria Helena Vilela, directora do instituto Kaplan (centro de estudos da sexualidade humana), aponta uma outra realidade como medida de combate, afirmando:
“É preciso entender que os paradigmas da sexualidade mudaram exponencialmente na última década. A escola, através dos seus professores capacitados com metodologia eficiente, será a maior aliada dos países e do Governo para combater e prevenir a gravidez na adolescência”.
Porém, actualmente, se mesmo com o uso dos métodos anti-concepcionais a gravidez se consolidar, existe mais um recurso para as jovens grávidas: a I.V.G. (Interrupção voluntária da gravidez). Antes de mais, I.V.G. é um direito de todas as mulheres que consiste na interrupção da gravidez até às 10 semanas, desde que seja realizado em estabelecimentos de saúde oficiais ou oficialmente reconhecido. Apenas a própria mulher pode fazer o pedido de interrupção de gravidez, salvo no caso de ser psiquicamente incapaz. O I.V.G., também conhecido como aborto, pode ser feito de modo cirúrgico ou medicamentoso, mas em ambos consiste na toma de medicamentos e comprimidos acompanhados por um médico.
Em Portugal, a 11 de Fevereiro de 2007, através de um referendo, os portugueses escolheram legalizar a Interrupção Voluntária da Gravidez até às 10 semanas, a pedido da mulher, num estabelecimento de saúde autorizado. Depois da aprovação da lei nº. 16/2007 (de 17 de Abril), em Junho de 2007, a I.V.G. tornou-se legal. Interromper a gravidez no Sistema Nacional de Saúde é um direito de todas as mulheres portuguesas ou estrangeiras residentes em Portugal (continental e ilhas).
Ao longo dos anos têm-se criado mitos e dúvidas constantes sobre a gravidez. Ficam aqui alguns exemplos:
- Se tomar banho a seguir ao acto sexual engravido?
- Engravido se for a primeira vez que tiver relações sexuais?
- Posso engravidar depois da menstruação?
- Engravido se tiver relações sexuais de pé?
- Existe a possibilidade de engravidar se retirar o pénis antes da ejaculação?
Todos estes mitos apontados são “falsos”, ou seja, em todos estes existe a possibilidade de a mulher engravidar! Não é por tomar banho depois ou por ter relações sexuais de pé que os espermatozóides não vão “chegar” aos ovários!
Estas são somente teorias erradas que se foram alastrando, e que actualmente fundamentam dúvidas para muitas mulheres! Mas desde já fica aqui o esclarecimento. Em todos estes casos a gravidez é uma possibilidade!
Violência Doméstica
Tipos de Violência
A violência familiar tem um modelo de comportamentos abusivos que podem ser físicos, sexuais e psicológicos, usados por uma pessoa contra outra, num contexto de intimidade, o agressor pretende adquirir poder ou manter a vítima controlada.
- A violência parental refere-se ao facto de certos actos dos pais, (ou de outras pessoas que desempenhem esse papel e funções) prejudicarem os direitos e as necessidades das crianças, como o seu desenvolvimento psicomotor, intelectual, moral, afectivo ou relacional.
- A violência conjugal pode ser definida por duas formas diferenciadas: a violência que decorre de um conflito mútuo entre os companheiros ou a violência que decorre do mau uso do poder masculino sobre o feminino. Esta violência traduz-se na adopção de comportamentos impróprios, cometidos intencionalmente sobre o (a) companheiro (a) e estes podem incluir actos violentos ou não violentos.
A violência física pressupõe o uso da força com objectivo de ferir, deixando ou não marcas evidentes. Esta violência está associada à punição corporal, onde são comuns: os murros, os empurrões, os pontapés, as queimaduras, os cortes, o estrangulamento, amarrar e arrastar.
A violência sexual compreende uma variedade de actos (uso da força, chantagem, suborno, manipulação e ameaças) que obrigam a pessoa a manter contacto sexual contra a sua vontade, no casamento ou noutros relacionamentos. A violência sexual é cometida, na maioria das vezes, por pessoas que a mulher conhece (marido ou companheiro) e acontece dentro do espaço doméstico, o que contribui para a sua invisibilidade.
A violência psicológica afigura-se por vezes tão ou mais nociva para as vítimas como a física, ainda que esta não seja tão visível e perceptível. São actos que se traduzem em gritos, ameaças e chantagens; perseguições; dizer mal de tudo o que a pessoa faz; diminuir a pessoa em público com comportamentos e palavras; insultar; entre outros exemplos. Estes comportamentos produzem sentimentos de rejeição, depreciação, discriminação, humilhação e desrespeito cujas consequências negativas no desenvolvimento dos seres humanos poderão revelar-se irreversíveis.
A violência económica ou financeira diz respeito a todos os actos destrutivos do (a) agressor (a) que afectam a saúde emocional e a sobrevivência dos membros da família. Alguns dos exemplos são: o roubo, a destruição de bens pessoais ou de bens da sociedade conjugal e o uso dos recursos económicos da mulher, destituindo-a de gerir os seus próprios recursos e deixando-a sem provimentos e cuidados.
Vítimas
A vítima de violência doméstica geralmente apresenta um conjunto de características que poderão corresponder a sinais de alerta para os que a rodeiam, de que algo a está a perturbar. Estes sinais podem mudar tendo em conta se a vítima é um adulto, uma criança ou adolescente. As mulheres são evadidas por sentimentos contraditórios de amor, ódio, revolta, medo, baixa auto-estima, sentimento de culpa e vergonha da violência cometida pelo companheiro.
As razões de ordem cultural, religiosa, crenças, práticas pessoais, dependência financeira, a esperança de que o comportamento do agressor vai mudar ou porque temem as consequências do abandono do companheiro(a), ou então porque existem antecedentes de agressores na infância, em que o pai batia na mãe e/ou ela própria sofreu de violência por parte dos pais, estas constituem algumas das razões que dificultam a decisão de quebrar com situações de violência.
Deste modo, verificamos que as vítimas revelam uma tendência para se acomodarem a situação por longos períodos (quando não dura uma vida) e por isso mesmo desenvolvem estratégias que lhes permite viver e lidar melhor com a situação que vivenciam.
Agressores
Designam-se por agressores violentos e perigosos todos os indivíduos que têm comportamentos ou atitudes anti-sociais que põem em risco a integridade física e psicológica de outras pessoas.
Apesar de não se poder retratar fielmente o perfil do agressor, pode dizer-se que estes aparentam ser bons maridos, companheiros carinhosos e cidadãos exemplares, contrariamente ao comportamento que revelam em casa onde a violência adquire muitas vezes contornos intoleráveis.
Os agressores elegem, muitas vezes, formas encobertas e dissimuladas como a negação da subsistência económica, a anulação da autonomia das parceiras, a utilização de terceiros, muitas vezes os filhos, ou através da adopção de comportamentos agressivos e destrutivos contra animais e/ou objectos. Muitas vezes estes comportamentos estão associados a problemas de desajuste psicológico, onde o ciúme tem especial expressão bem como o consumo de álcool.
Respostas de intervenção
A inexistência de instituições que apoiam as vítimas condiciona, à partida a denúncia do crime, havendo por isso a necessidade de criar e implementar novas estratégias e programas de intervenção que garantam a segurança e a protecção da vítima. Existem respostas institucionais que dispõem de apoio jurídico, judiciário, psicológico, económico e habitacional. Das instituições que direccionam a sua intervenção para estas situações específicas podemos destacar:
- A Comissão para a Igualdade dos Direitos da Mulher (CIDM)
- As Comissões de Protecção a Crianças e Jovens (CPCJ)
- A PSP/GNR
- O Tribunal/ Ministério Público
- 144
- O Instituto de Medicina Legal
- A CIDM e a Ordem dos Advogados
Violência no namoro
A violência no namoro existe quando, numa relação amorosa, um exerce poder e controlo sobre o outro, com o objectivo de obter o que deseja. Esta acontece em pessoas de diferentes estratos sociais, faixas etárias, religiões, etnias e ocorre em todos os casais (hetero e homossexuais).
Como posso saber se estou a viver uma relação de namoro violenta?
Decidir viver numa relação amorosa não violenta requer saber identificar os sinais de uma relação violenta.
Estás a viver uma relação amorosa violenta se o teu namorado:
- Empurra-te, arranha-te, belisca-te;
- Dá-te ordens ou toma todas as decisões;
- Não dá valor às tuas opiniões;
- É ciumento e possessivo, não quer que saias com as tuas amigas e amigos
- Controla todos os teus movimentos (pergunta constantemente onde estiveste e com quem estiveste);
- Humilha-te à frente das tuas amigas e amigos (insulta-te, diz que nada serias sem ele, entre outras coisas);
- Pressiona-te para terem relações sexuais não protegidas ou práticas sexuais não desejadas;
Porque é que uma jovem mantém uma relação de namoro violenta?
Normalmente a violência não é uma constante na relação, acontece ocasionalmente, e após o episódio de violência existe a chamada fase de “lua-de-mel”. Nesta fase, o agressor procura desculpabilizar-se e desresponsabilizar-se, pedindo desculpa e oferecendo presentes e prometendo que a violência não voltará a acontecer. Por vezes, é preciso coragem para terminar uma relação que não é violenta, mas quando se trata de uma relação violenta torna-se ainda mais difícil.
Violência Familiar nas crianças
A violência entre pais ocorre sobretudo em casa, meio geralmente associado à segurança e protecção das crianças, pelo que se apresenta, nesta situação, um cenário contraditório, em que a vítima directa e o ofensor são ambas pessoas que a criança identifica como figuras de suporte.
Uma criança exposta à violência, é aquela que vê, ouve um incidente de agressão, vê o seu resultado ou que vivencia o seu efeito. Ao contrário daquilo que se pensa a criança não pode fugir à exposição nem aos efeitos da violência. Estudos realizados mostram que em 80% dos lares as crianças assistem à violência conjugal e que 90% destas crianças testemunham a violência que um dos companheiros exerce no outro. Nos últimos anos o reconhecimento da exposição das crianças à violência conjugal aumentou, mas a verdade é que esta forma de violência continua a não ser admitida, pela sociedade, como um problema.
Consequências para a criança testemunha de violência doméstica
A violência interparental adquire várias formas, onde o desprezo, terror, ameaças, gritos, rejeição, negação de respostas emocionais, isolamento, humilhação, exploração, entre outras, marcam presença, acabando a criança, que assiste à violência parental, por ser objecto desta violência. As crianças que testemunham esta violência não apresentam marcas físicas mas problemas emocionais. Deste modo as crianças que vivenciam a violência interparental apresentam alguns problemas tais como:
- Interacção social;
- Dificuldades escolares, de saúde e comportamentais;
- Agressividade e temperamento difícil;
- A existência de sentimentos como a angústia, tristeza e insegurança;
- Baixos níveis de realização académica.