História da prostituição
Na antiguidade, em muitas civilizações, a prostituição era praticada por meninas como uma espécie de ritual de iniciação quando atingiam a puberdade. No Egipto antigo, na região da Mesopotâmia e na Grécia, via-se que a prática tinha uma ritualização. As prostitutas, consideradas grandes sacerdotisas (portanto sagradas), recebiam honras de verdadeiras divindades e presentes em troca de favores sexuais.
Grécia e Roma
As prostitutas eram admiradas, porém tinham que pagar pesados impostos ao Estado para praticarem sua profissão; deveriam também utilizar vestimentas que as identificassem, pois caso contrário eram severamente punidas. Na Grécia, existia um grupo de cortesãs, chamadas de hetairas, ou heteras, que frequentavam as reuniões dos grandes intelectuais da época. Eram muito ricas, belas, cultas e de extrema refinação; exerciam grande poder político e eram extremamente respeitadas.
Cristianismo e Idade média
Durante a Idade Média houve a tentativa massiva de eliminar a prostituição, impulsionada pela em parte pela moral cristã mas também no grande surto de DSTs. Em muitas Cortes, o poder das prostitutas era muito grande: muitas tinham conhecimento de questões do Estado, tanto que a prostituição passou a ser regulamentada. Quando houve a Reforma religiosa no século XVI, o puritanismo começou a influir de forma significativa na política e nos costumes. Somada a este evento, aconteceu uma grande epidemia de doenças sexualmente transmissíveis. A Igreja Católica enfrentou frontalmente o problema da prostituição, lançando mão de recursos teológicos (dogmas, tradição e textos Bíblicos). Com esta acção a prostituição foi relegada a uma posição de clandestinidade.
Revolução Industrial
Com o advento da Revolução Industrial, houve um crescimento na prostituição. Face aos baixos salários e para fugir à miséria, as mulheres trabalhadoras viram-se forçadas àquilo que os franceses chamaram Le cinquième quart de la journée: muitas prostituição em troca de favores dos patrões e capatazes, expandindo novamente a prostituição e o tráfico de mulheres. Somente em 1899 aconteceram as primeiras iniciativas para acabar com a escravidão e exploração sexual de mulheres e meninas. Vinte e dois anos mais tarde, a Liga das Nações mobilizou-se para tentar erradicar o tráfico para fins sexuais de mulheres e crianças.
Século XX /Prostituta moderna
Desde o início do século XX, os países ocidentais tomaram medidas visando a retirar a prostituição da actividade criminosa onde se tinha inserido no século anterior, quando a exploração sexual passou a ser executada por grandes grupos do crime organizado; portanto, havia a necessidade de desvincular prostituição propriamente dita de crime, de forma a minimizar e diminuir o lucro dos criminosos. Dessa forma as prostitutas passaram a ser somente perseguidas pelos órgãos de repressão se incitassem ou fomentassem a actividade publicamente.
Com a disseminação de medidas sanitárias e de higiene e, o controlo da propagação de doenças sexualmente transmissíveis (DST) e outras enfermidades correlatas à prostituição parecia próximo até meados da década de 1980 no século XX, porém, a SIDA tornou a prostituição uma prática potencialmente fatal para prostitutas e clientes, havendo no início da enfermidade uma verdadeira epidemia.
A prostituição em Portugal
A prostituição em Portugal não é prevista por nenhuma lei específica. Em meados da década de 2000 o número de prostitutas estimava-se em 28,000, sendo pelo menos 50%, estrangeiras. A prostituição tornou-se mais visível desde princípios da década de 1990 com uma onda migratória do Brasil e de países da Europa de Leste. Encontram-se facilmente serviços de prostituição em revistas, jornais e sítios da Internet. Fontes da imprensa sugerem que metade das mulheres no ramo da prostituição em Portugal são estrangeiras, especialmente do Brasil e do Leste Europeu, mas também de África e de alguns países da Ásia.
Em Portugal, a prostituição ocorre em vários cenários distintos. Jovens prostitutas especialmente atraentes e dispendiosas, que se anunciam na Internet e nas bancas de jornais, podem ser encontradas facilmente nas maiores cidades e nas mais frequentadas estâncias turísticas. A prostituição pode também ter lugar no apartamento da prostituta, que se pode localizar em qualquer lugar, desde as áreas suburbanas até aos apartamentos de luxo na baixa das maiores cidades. Ocorre prostituição em algumas salas de massagens, bares e pubs. Há bordéis "não-oficiais" que são estabelecimentos especificamente virados para a prostituição, mas disfarçados de pensões ou restaurantes. Há uma forma de prostituição frequentemente disfarçada de agências de acompanhantes, que fornecem acompanhantes atraentes para ocasiões sociais - esses ou essas acompanhantes providenciam serviços sexuais adicionais aos clientes.
Prostituição heterossexual e homossexual masculina também ocorre em vários cenários distintos, que vão desde os bares gay às discotecas e estâncias balneares. Uma grande percentagem dos indivíduos de sexo masculino envolvidos em prostituição são também estrangeiros, especialmente do Brasil e de África. O conceito de gigolô é usado e é normalmente associado a prostitutos com uma clientela exclusivamente feminina. A maioria das grandes cidades tem uma área onde prostitutos homossexuais regularmente se disponibilizam a potenciais clientes do sexo masculino que passem em viaturas.
Prostituição transexual também existe, particularmente por travestis brasileiros, nomeadamente prostituição de rua em determinadas áreas.
Um dos locais onde a prostituição está a aumentar em Portugal, é na Internet.
Os motivos que levam as mulheres a prostituir-se
Os motivos que levam as mulheres a prostituir-se são difíceis de analisar, pois diferem de caso para caso. Contudo, as razões estão relacionadas com carências económicas e ausência de afecto e contacto social.
Muitas das prostitutas fazem a sua actividade por dinheiro: umas procuram uma actividade de emergência para combater problemas económicos, outras querem ter uma vida que consideram mais glamurosa e luxuosa.
Também há as que estão no mundo da prostituição por obrigação dos companheiros que as maltratam, violentam e as obrigam a vender-se para sustentar os seus vícios como o álcool ou o tabaco.
Por seu lado as adolescentes que vivem em bairros degradados, que pertencem a famílias numerosas e pais alcoólicos, que sofreram maus tratos, fome, abandonos e abusos não conseguem ter uma vida “normal” no futuro, acabando por ingressar no mundo da prostituição (até muito novas para suportar despesas em casa), pois sentem-se sozinhas e não têm ninguém que as ampare e que lhes diga o que devem ou não devem fazer.
Cada vez mais nos deparamos com casos de prostituição na adolescência. As jovens são arrastadas para a prostituição por um adulto, o proxeneta, que conhece bem as suas necessidades psicológicas: provêm de famílias pobres, com problemas sociais (alcoolismo, violência doméstica) e que necessitam (mais que ninguém) de carinho e afecto sentindo uma necessidade muito forte de dependerem de alguém. O proxeneta aborda-as de forma romântica e oferece presentes vistosos, convencendo-as de que lhes pode dar a protecção, a segurança e o amor de que elas necessitam. Assim ele ensinas-a a executar actos de sexo e estas rapidamente se disponibilizam para trabalhar para ele. Para estas adolescentes, a atenção, os presentes e o amor ilusório oferecidos tornam-se verdadeiramente irresistíveis. Pelo menos, a presença do proxeneta leva-as a sentirem-se amadas, sentimento que não vivenciaram no seu contexto familiar de origem.
A prostituição masculina também é uma prática corrente, embora com menos expressão que a feminina. Os motivos pelos quais os homens se prostituem são fundamentalmente os mesmos que as mulheres prostitutas: necessidade de dinheiro, mas mais uma vez o que os diferencia é o uso que lhes dá.
Uns querem viver melhor: vestir roupas caras, frequentar sítios de luxo, outros sustentar vícios como os do jogo e poucos são os que se prostituem para (sobre)viver: pagar a conta do gás, da luz, da água, a escola dos filhos, etc.
Cada vez mais mulheres recorrem à prostituição como actividade de emergência para combater os problemas económicos. É aquilo que os técnicos que se dedicam ao acompanhamento das prostitutas apelidam por prostituição SOS: mulheres entre os 35 e os 50 anos, de classe média-baixa, que vendem o seu corpo de forma esporádica para pagar as despesas. Quando a despesas são suportadas a dois, tornam-se mais suaves, mas se os maridos saem de casa, muitas mulheres ficam numa situação complicada. Nestes casos o dinheiro não chega para pagar as contas e, quando acaba, o recurso à prostituição acaba por ser uma solução. Assim as mulheres prostituem-se várias vezes por semana, trabalham em part-time (actividade muito mal paga a tempo inteiro), têm filhos adolescentes a estudar, estão separadas e os maridos não pagam a pensão de alimentos.
Motivos que levam os clientes a procurarem as prostitutas
As razões pelas quais os homens procuram as prostitutas são mais diversificadas e são o reflexo da sociedade em que vivemos. São homens que procuram prazer sem compromissos, homens que não conseguem manter uma relação, que querem experimentar fantasias a que a parceira não está disposta, por causa de muitos tabus que existem sobre o sexo e as pessoas fazem dele “um bicho de sete cabeças”.
Ao recorrer às “mulheres da vida”, os homens procuram sexo rápido, sem compromissos para aliviar o stress.
É um facto que o sexo é uma das necessidades do homem e que muitas mulheres não correspondem da mesma maneira. Para além de não terem a mesma vontade para uma relação sexual, muitas mulheres alegam cansaço, stress, dores de cabeça, recusando-se assim a uma relação que satisfaça o seu parceiro e não o faça recorrer a prostitutas. Também existem homens que querem satisfazer as suas fantasias com outros homens, pelo que recorrem a travestis (oferta masculina).
Há que referir também que há homens que procuram as prostitutas, não por sexo, mas porque querem um afecto, um abraço, um carinho, alguém com quem conversas, ou seja, a atenção que lhes falta.
Por último, há homens com quem a esmagadora maioria das mulheres nunca se envolveram: ou porque são muito feios, ou porque não tomam banho, ou porque não se sabem comportar. Assim as “mulheres da vida” surgem como a única resposta a estes casos que sem elas se tornavam num grande problema para a sociedade.
No que toca à procura feminina de prostitutos e até prostitutas, esta deve-se maioritariamente à procura de afecto, carinho, uma simples conversa que não conseguem obter. Contudo, existem também mulheres que procuram a realização de fantasias, que procuram sexo de outra forma não realizam.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
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